A diferença entre currículo brasileiro e CV europeu
Currículo brasileiro
- Foto, CPF, RG, estado civil
- Duas a quatro páginas
- Descrição de tarefas e responsabilidades
- Layout gráfico com colunas e ícones
CV em inglês (padrão europeu)
- Nome, cidade, email, telefone e LinkedIn
- Uma a duas páginas, no máximo
- Resultados quantificados em cada função
- Formato limpo, uma coluna, legível por ATS
A estrutura, seção por seção
1. Professional summary (o resumo do topo)
Três a quatro linhas dizendo quem você é profissionalmente, quantos anos de experiência tem, em que setor atua e o que procura agora. Nada de objetivo genérico do tipo "busco crescimento profissional". Exemplo: "Digital marketing specialist with 7 years of experience in B2B SaaS, focused on demand generation and paid media. Currently relocating to Dublin."
2. Work experience com resultados, não tarefas
Cada função ganha de três a cinco bullets começando com verbo de ação no passado (led, built, increased, reduced). Sempre que possível, coloque número: percentual, valor, volume, prazo. "Responsible for social media" não diz nada. "Grew LinkedIn engagement by 42% in 6 months" diz tudo.
3. Skills e idiomas do jeito europeu
Separe hard skills (ferramentas, linguagens, plataformas) de soft skills, e liste idiomas com o nível do quadro europeu: Portuguese (native), English (C1), Spanish (B1). Recrutador europeu entende esse padrão na hora.
4. Education, certificações e status de trabalho
Traduza o nome do curso, não invente equivalência oficial. Bacharelado vira Bachelor's degree. Se você já tem direito a trabalhar (cidadania europeia, visto, Stamp 4), diga isso em uma linha curta no topo. Isso remove a maior dúvida do recrutador antes mesmo da entrevista.
Seis erros que eliminam o seu CV
- Foto grande, CPF, RG, estado civil e número de filhos
- Três páginas ou mais para uma carreira de cinco anos
- Tradução automática sem revisão humana
- Layout em duas colunas com ícones que o ATS não lê
- Endereço completo no Brasil sem dizer que você está a mudar
- Mesmo CV enviado para vagas totalmente diferentes
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Escrito por
Hugo Faria
Career coach e co-fundador da HULA, baseado no Porto. Mais de 20 anos em marketing internacional, incluindo LinkedIn e Indeed, ajudando profissionais a serem contratados em Portugal, Irlanda, Reino Unido e no resto da Europa. Conheça o Hugo.
Perguntas frequentes
Currículo em inglês é a mesma coisa que CV ou resume?+
Não exatamente. Na Irlanda, no Reino Unido e em Portugal usa-se o termo CV, com uma a duas páginas. Resume é o termo americano, quase sempre de uma página. Se você está aplicando na Europa, escreva um CV no padrão europeu, não um resume americano.
Posso simplesmente traduzir o meu currículo brasileiro?+
Tradução literal é o erro mais comum. O currículo brasileiro costuma trazer foto, RG, CPF, estado civil e descrições de tarefas. O CV em inglês precisa de resultados quantificados, verbos de ação, sem dados pessoais sensíveis e com keywords da vaga para passar em ATS.
Devo colocar foto no currículo em inglês?+
Na Irlanda e no Reino Unido, não. É considerado risco de viés e muitas empresas descartam. Em Portugal a foto ainda aparece com frequência, mas continua sendo opcional. Na dúvida, envie sem foto.
Qual nível de inglês preciso ter para escrever o CV?+
O CV precisa estar impecável, mesmo que o seu inglês falado ainda esteja em evolução. Erros de gramática no currículo são eliminatórios. Vale a pena ter revisão profissional, porque esse documento é a primeira amostra do seu inglês.
Como sei se o meu currículo em inglês passa em ATS?+
Use formato simples de uma coluna, sem tabelas, caixas de texto ou gráficos, salve em PDF e inclua as keywords exatas da vaga. Você também pode rodar o seu currículo na análise gratuita da HULA para ver como um sistema de triagem lê o seu documento.
